Como lidar com Pirraça

Por Roberto Cooper

A pirraça é uma reação esperada da criança à alguma frustração. Em geral essa frustração vem ou do fato de não conseguir fazer algo que estava tentando fazer não conseguindo comunicar direito o que deseja ou por uma restrição imposta por adultos a uma vontade sua. Portanto, para haver pirraça deve haver vontade e esta existe quando processo de independência da criança se inicia. No final do primeiro ano e mais intensamente no segundo ano de vida, a criança começa a querer fazer as coisas sozinha (se vestir, comer, tomar banho etc.) ou explorar o mundo de acordo com sua curiosidade (rasgar livros, puxar coisas, enfiar o dedo na boca do cachorro, colocar a mão dentro da privada etc.). O poeta Vinicius de Moraes definiu muito bem o que é ter filhos no Poema Enjoadinho. Neste, a respeito da curiosidade, independência e vontade própria dos pequerruchos, escreveu: chupam gilete, bebem shampoo, ateiam fogo no quarteirão….

A primeira coisa difícil no lidar com a pirraça é que, ao mesmo tempo em que os pais devem permitir que os filhos expressem suas emoções, devem também ajudá-los a reduzir as reações violentas e comportamentos agressivos. Mais uma vez não há receita pronta que nos ensine quanto de restritivo e quanto de permissivo devemos ser. Tentativa e erro é único método que existe. Cansa, dá trabalho,  mas os resultados compensam. Ousar, mudar, tentar coisas diferentes e aprender com elas, faz parte da alegria de ser pai e mãe. Mesmo sem regras, seguem algumas dicas:

Distraia seu filho. Ao perceber que está começando a ficar irritado ou frustrado, tente mudar o foco da sua atenção. Mostre algo ou inicie uma nova atividade. A capacidade de fixar a atenção, nesta idade, é baixa e distraí-lo assim que os primeiros sinais de que algo não vai bem, pode ajudá-lo.

Ignore a pirraça. Se não conseguir  distraí-lo, não dê atenção ao comportamento pirracento. Verifique apenas que ele não tem nenhuma chance de se machucar. Cada vez que reage à pirraça, mesmo brigando ou castigando, pode estar      “recompensando-o” com mais atenção (que era o objetivo original dele!)

Não passe vergonha. Se estiver em local público e o seu comportamento for constrangedor, simplesmente tire-o do ambiente, sem discussão ou briga. Leve-o para outro ambiente e espere até que se acalme para poder retornar ao que estava fazendo.

Não pode bater, nem morder. Se  a pirraça incluir bater, morder ou qualquer outro comportamento que potencialmente possa machucá-lo ou a outra pessoa, você não deve      ignorá-lo. Diga, imediatamente, de forma clara e objetiva, com o tom adequado de voz (severo, sem gritar) que não deve se comportar daquela forma e tire-o da situação por alguns minutos. Não tente estabelecer um diálogo com explicações elaboradas ou lógicas porque, nesta idade (2-3 anos) ele não as entenderá. Nesta idade, perguntas como: você gostaria que  alguém fizesse isso com você? ainda não fazem sentido para ele.  Simplesmente faça-o compreender que o que ele fez estava errado. Uma frase como: não pode bater ou morder. Isso é feio. surtirá muito mais efeito do que longas explicações sobre porque não se deve bater e morder.

Castigo, na hora. Se você julgar que algum tipo de punição é necessária, aplique-a na hora e não mais tarde. A criança, nesta idade, não consegue fazer a conexão entre o comportamento  que tiveram e um castigo horas mais tarde. O castigo deve ser dado dentro do limite do desenvolvimento da criança. Se for para pensar no que fez, nesta idade, 5 minutos, no máximo!

Nada de castigos físicos. Por mais irritado ou irritada que esteja (e estará), nunca aplique castigos físicos. Se o fizer, a mensagem ou ensinamento que estará passando é que a agressão é uma forma aceitável de reagir quando se deseja algo. Castigo físico seria bater, beliscar, puxar o cabelo ou qualquer outra ação que provocasse dor ou medo na criança.

Abrace com força e firmeza. Não é castigo físico conter com firmeza uma criança. Muitas vezes, é essa contenção firme (como em um abraço bem apertado), acompanhado de uma voz  tranquila e serena, que consegue acalmar um ataque de pirraça. Finalmente, uma observação sincera. Escrever sobre pirraça em um site é facílimo. Na hora em que seu filho está ali, urrando com se estivesse sendo massacrado e as pessoas te olham com espanto, é que as coisas ficam realmente difíceis. Portanto, exercite a sua paciência e criatividade, pensando nessas situações, antes que ocorram. Se tudo der errado, tente algo bem humorado. Bom humor espanta a raiva e esta é péssima conselheira!

Se quiserem compartilhar suas histórias de pirraça e estratégias que usaram, eu vou gostar muito. Acredito que outros pais também.

Blog Dr. Roberto Cooper : www.robertocooper.com

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Editorial

Quando não há prazos, nem amarras, tampouco fórmulas, ficamos abertos a novas idéias. Das boas. Do não compromisso com o factual, o temporal e o noticioso, nasceu a vontade de criar um espaço para livres pensadores, sem censura e com estilo de sobra. Cada um vem aqui e diz o que quer, lembranças de outrora ou assuntos de agora. Vale o exercício de imaginar o surpreendente para desenhar o futuro. A receita é simples: escrever para aliviar, ler para gostar e navegar para se divertir. A turma é boa, insider que não veio ao mundo à toa. As histórias são ótimas, a ordem é ser leve acima de tudo ou nada feito.

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